sábado, 15 de julho de 2017

Modelagem paramétrica em projetos: matemática e arquitetura de mãos dadas

A modelagem paramétrica, caracterizada por fazer uso de variáveis ou parâmetros para concepção da geometria de elementos construtivos, pode ser um termo novo para alguns, mas os projetos baseados nessa forma inovadora de criação de desenhos têm se mostrado cada vez mais usuais.

Imagem: br.pinterest.com/pin/34340015890656801/

O interesse da modelagem paramétrica é criar formas geométricas por meio de recursos computacionais e, após a etapa de planejamento, construí-las fisicamente, por meio de modelos espaciais derivados dos desenhos parametrizados. Essa nova forma de modelagem permite a reprodução gráfica de superfícies contínuas de acordo com os dados inseridos nos algoritmos.

Imagem: br.pinterest.com/explore/arquitetura-paramétrica/

Ao invés de se construir uma superfície ou volume por meio do traçado imaginativo do arquiteto, a modelagem paramétrica possibilita a criação de diferentes formas geométricas por meio de iterações e cálculos computacionais, criando desenhos que obedecem às leis matemáticas. Diante disso, o controle sobre a construção geométrica por parte do projetista poderá ser feito através do monitoramento das variáveis dentro de suas respectivas funções. 

Centro de Heydar Aliyev, Azerbaijão.
Imagem: arcoweb.com.br

Em meio às plataformas vetoriais como o AutoCAD e, mais atualmente, o próprio BIM, o arquiteto acaba por se ver refém das limitações de cada programa. Com a modelagem paramétrica torna-se possível superar essas restrições, tendo em vista que o projeto passa a se comportar como um “organismo vivo”, capaz de se adequar às diversas mudanças que surgem ao longo da fase de planejamento. Se o projeto estrutural, por exemplo, exigir o aumento da largura de uma viga, é possível adequar toda a geometria da construção através de uma simples alteração de parâmetros.

Imagem: teabj.com

Os cálculos e geração dos gráficos parametrizados, em grande parte dos casos, serão de grande complexidade, sendo necessário o uso de ferramentas computacionais. Alguns programas e plugins, como o Rhinoceros e o Grasshopper, podem ser utilizados para criação, investigação e análise das superfícies e objetos.

Para saber mais sobre plugins paramétricos: clique aqui.

A princípio, pode nos parecer que a parametrização seja uma oposição à racionalização de projetos dentro da indústria da construção. Há de se destacar, contudo, que a arquitetura paramétrica é na verdade uma evolução do pensamento racionalizado, sendo capaz de atender de forma satisfatória os quesitos de sustentabilidade, conforto térmico e personalização de ambientes. Essa nova forma de se projetar é ainda uma excelente forma de estimular a criatividade, além de colaborar para o desenvolvimento do pensamento lógico, abstrato e associativo.

Fontes:

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Fórmula de Blondel: como calcular o conforto de escadas?


Uma escada é um tipo de construção com degraus que tem por finalidade conectar dois locais situados em níveis diferentes.

Calcular o conforto de uma escada é especificar suas medidas de forma que as pessoas possam utilizá-la confortavelmente, respeitando padrões de ergonomia e segurança. Os dois principais elementos para dimensionamento são o espelho e o piso.


François Blondel, importante arquiteto militar da França, foi responsável por estudar características de conforto em escadas. Sua base de projeto é referência para diversos profissionais da área e a fórmula, hoje adaptada, ainda recebe o seu nome.

O que nos diz a fórmula de Blondel?

Segundo a Fórmula de Blondel, as dimensões do piso e do espelho em uma escada confortável deverão obedecer a seguinte relação:

P + 2E = 60 a 64 cm

onde: P = piso e E = espelho.

Recomenda-se que o piso mínimo em uma escada seja 28 cm (mínimo exigido pelo Corpo de Bombeiros). Uma escada pode ser considerada folgada quando E = 17 cm e P = 28 cm, sendo estes os valores mais recomendados. O piso de uma escada comum varia entre 25 e 30 cm. E o espelho, entre 16 e 18 cm.

E com relação à largura da escada?

Recomenda-se que a largura de uma escada nunca seja menor que 80 cm, devendo ser da ordem de 1,20 m em edifícios de apartamentos e escritórios.

Exemplo de cálculo de conforto de uma escada

Seja uma escada com P = 30 cm e que precisa vencer uma altura H = 2,85 m. Qual deverá ser a altura do espelho e o comprimento da escada?

Utilizando a Fórmula de Blondel:

30 + 2.E = 64
E = 17

Usar E = 17 cm.

O número de espelhos NE corresponde à razão entre a altura do vão e a altura do espelho.

Logo: NE = H/E = 285/17 = 17,76

Ora, como podemos ver, o número de espelhos não corresponde a um número inteiro. Vamos então trocar os valores entre NE e E, de forma que:

NE = 17 
E = 17,8 cm

O número de pisos NP é igual a NE-1, de forma que: 

NP = 17-1 =16

O comprimento da escada será NP x P = 16 x 0,3 = 4,8 m.

Fontes:


http://portifolioarquiurbano.blogspot.com.br/2013/02/escadas-formula-de-blondel.html http://pedreirao.com.br/escadas/calculo-de-escadas-passo-a-passo/
http://www.clubedoconcreto.com.br/2013/12/dimensionamento-de-escadas-segundo-nbr.html

domingo, 28 de maio de 2017

Casas de madeira e sistema log home: fique por dentro


Imagem: http://www.interior-idea.com/log-home5.html

O uso da madeira em edificações não é algo tão recente. Atualmente, porém, novas tecnologias têm permitido a execução de sistemas estruturais em intervalos de tempo cada vez menores.  As casas no sistema construtivo log home são geralmente construídas com toras de madeira maciça, constituindo uma alternativa ecológica para manutenção do conforto térmico. Hoje em dia, a montagem por meio dos chamados painéis autoportantes tem chamado cada vez mais atenção, justamente pelo fato da facilidade de construção e menor prazo de execução.

Painel autoportante de madeira.
Imagem: https://br.pinterest.com/explore/log-homes-kits/

As residências log home são bastante comuns em países do hemisfério norte, como Estados Unidos, Canadá e Finlândia. É comum encontrar cabanas desse tipo em diversas regiões, incluindo praias, florestas e campos, sendo comumente chamadas de log cabins. No Brasil, as edificações que fazem uso deste sistema construtivo passaram por um verdadeiro processo de “tropicalismo”, de forma que houve uma mescla com elementos de nossa arquitetura clássica, como o concreto, a alvenaria cerâmica e os azulejos, principalmente nas áreas molhadas, como banheiros e cozinhas. O resultado foram casas realmente aconchegantes e diferenciadas.

Imagem: http://www.swissmtloghomes.com/

As log homes são normalmente executadas com madeira tratada, oriunda de reflorestamento. O pinus é geralmente a madeira mais utilizada para paredes e divisórias, devido à sua maior leveza, enquanto nas estruturas de telhados é bastante comum o uso do eucalipto. Em alguns casos tem sido frequente a utilização de painéis de vidro para permitir a iluminação natural do espaço interno, trazendo ainda mais conforto e beleza a estas construções.

Imagem: https://timberwolfhandcrafted.wordpress.com/log-hybrid-photos/
Fontes: