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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A praticidade das instalações hidráulicas com tubos de polietileno reticulado - PEX


Imagem: http://www.kdjs2015.com/all-about-pex-pipe/

O tubos de polietileno reticulado ou tubos PEX são conhecidos por possuírem grande flexibilidade. Por meio dessa nova tecnologia é possível criar trajetos curvos muito mais suaves do que aqueles proporcionados pela tubulação PVC. Curvas menos acentuadas permitem a redução do nível de ruído e minimiza grandes turbulências dentro da canalização.

Imagem: http://www.merckits.com.br/produto/projetos-de-instalacoes-em-pex/

Quando se trabalha com tubos PEX é bastante comum a criação de um espaço apropriado por onde passam todas as tubulações na vertical, para permitir o acesso em casos de inspeção ou manutenção. Estes espaços são chamados shafts.

A distribuição de um ramal ou coluna para sub-ramais de diâmetros menores é feita por meio de um manifold. Trata-se de distribuidor com três, quatro  ou mais saídas, geralmente feito com material metálico (cobre ou latão).

Imagem: http://www.hgsitebuilder.com/files/writeable/
uploads/hostgator747140/image/pex4asm.jpg

Num sistema PEX, geralmente a cor azul indica passagem de água fria, enquanto a cor vermelha indica passagem de água quente.

Imagem: https://br.pinterest.com/boog84/plumbing/

Vale destacar, porém, que os tubos PEX também possuem suas desvantagens, como qualquer outro material. Entre elas pode-se citar:

- não-reciclabilidade;
- fragilidade (quando exposto ao Sol);
- ataque de roedores.

Fontes:

CARVALHO JR., R. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 7ª ed. São Paulo: Blücher, 2013.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

3 coisas que você precisa saber sobre o golpe de aríete

Imagem: http://wap.ind.br/blog
O que é o golpe de aríete?

Suponha um conduto forçado, como uma tubulação de água, onde o líquido está em pleno movimento. Se fecharmos o registro dessa tubulação bruscamente haverá uma sobrepressão dentro das paredes do conduto, pois o movimento do líquido será alterado de forma abrupta. Esse choque violento oriundo dessa sobrepressão é denominado golpe de aríete.

Imagem: https://multipros.wordpress.com/category/encanador/
Como que ocorre?

No fechamento abrupto de uma válvula ou registro, por exemplo, a força da água em movimento exerce trabalho, gerando altas pressões nas paredes do tubo, superiores à pressão inicial. A interrupção do fluxo de água causa uma onda de pressão que se propaga dentro da tubulação até chegar à saída do reservatório. Ao sair da canalização rumo ao reservatório ocorre uma depressão dentro do tubo. Como sua extremidade encontra-se fechada, há agora a formação de uma onda de depressão de volta à tubulação, de forma que a água na porção final do tubo choca-se novamente com o registro. O processo vai se repetindo muitas e muitas vezes... Na prática o atrito das paredes do cano vai amortecendo os golpes sucessivos.

Como combatê-lo?

O golpe de aríete pode ser combatido de várias maneiras:
- limitação da velocidade de escoamento do líquido;
- fechamento lento das válvulas e registros;
- fabricação de tubos que suportem a sobrepressão;
- instalação de válvulas especiais ou de câmaras de ar comprimido para amortecimento dos golpes, etc.

Fonte: 

AZEVEDO NETTO, J. M. et al. Manual de Hidráulica. 8ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1998.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Intrusão salina e seus impactos nas regiões litorâneas


Para que a água seja considerada salgada ela deve ter mais de uma parte de sal para 1000 partes de água. Quanto maior o teor de sais minerais dissolvidos na água, mais densa ela se torna. Para comprovar isso você pode fazer uma simples experiência: basta colocar um ovo num copo com água doce e outro num copo com água misturada com sal de cozinha. Você verá que o ovo boia na água salgada, comprovando que a densidade desta última é maior que a densidade da água doce.

Imagem: http://martine6.perso.neuf.fr/eau/eaup/exppm.htm
O encontro do lençol freático com a água salgada do mar se dá nas regiões litorâneas. A pressão do lençol impede o avanço da água salgada para o continente. Por ser mais densa, a água do mar fica por baixo da água doce, permitindo que poços bem próximos à praia consigam captar água para consumo humano.



Quando, por  algum motivo, a água doce é extraída além de um certo limite ou o lençol perde pressão, a água do mar adentra para o continente, salinizando os poços. Esse fenômeno é conhecido como intrusão salina. O avanço da chamada cunha salina pode atingir as fundações das edificações de aço e concreto da zona costeira, podendo causar corrosão dos elementos.

A intrusão salina pode ser ocasionada pela extração desenfreada da água do lençol ou pelo crescimento das cidades. Neste último caso, a impermeabilização do solo acaba por comprometer a capacidade de reabastecimento do lençol, diminuindo a pressão responsável pelo impedimento do avanço da água salgada.

Fontes:

domingo, 1 de maio de 2016

Drenos verticais filtrantes


Um muro de contenção sem dreno pode ser tornar instável e entrar em colapso em virtude da pressão exercida pela água, principalmente em temporadas de chuva intensa. Um dreno vertical nada mais é do que um dispositivo drenante formado por várias camadas de areia e brita dispostas verticalmente e que filtram a água em excesso no solo direcionando-a a um ponto específico. 
Esquema de um dreno vertical filtrante.
O principal cuidado que se deve ter durante a construção de um dreno vertical é a correta escolha da granulometria dos agregados, uma vez que dependendo do material adotado poderá ocorrer remoção do solo do terreno ou colmatação, isto é, o entupimento do dreno. A água filtrada pelas camadas de areia e brita segue para uma tubulação situada na parte inferior, sendo direcionada a um ponto de saída pré-definido.

Atualmente o dreno vertical não é tão usado e, ao invés de se utilizar várias camadas de areia e brita, é mais comum a utilização de um geocomposto drenante ao longo da área do muro de arrimo, de forma a cobrir o tubo de drenagem. 

Fontes:

http://www.ebanataw.com.br/talude/filtro.htm
http://geofoco.com.br/blog/geofoco-explica/drenagem-de-muros-de-arrimo

quarta-feira, 16 de março de 2016

Identificando tubulações por meio das cores


Você sabia que é possível identificar uma tubulação por meio da cor?

Imagem: http://www.solucoesindustriais.com.br/
A norma responsável pela padronização das cores é a NBR 6493:1994 - Emprego de cores para identificação de tubulações. 

Confira as principais cores usadas em tubulações e o que representa cada uma:

Imagem: http://conectadosaseguranca.blogspot.com.br/
Fonte:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6493- Emprego de cores para identificação de tubulações. Rio de Janeiro, 1994.

terça-feira, 8 de março de 2016

MBA e especializações: conheça algumas delas

Imagem: http://www.eseg.edu.br/cursos/engenharia_civil

Em sua carreira profissional como engenheiro civil você poderá optar por fazer a pós-graduação lato sensu: especializações e MBA.

A pós-graduação lato sensu conta com cursos desligados da formação acadêmica, mas bastante procurados no mercado de trabalho. Uma pós-graduação lato-sensu não lhe oferece diploma, mas lhe confere um certificado. 

Ao fazer uma especialização você se tornará um especialista, isto é, um engenheiro com conhecimento técnico aprofundado em uma determinada área, podendo trabalhar numa empresa de maior porte numa tarefa ou setor específico. A duração de uma especialização deve ter no mínimo 360 horas (432 horas-aula).

Confira abaixo algumas das pós-graduações lato sensu que você poderá fazer:

1. MBA (Master of Business Administration): bastante conhecido no setor administrativo, sendo ideal para os engenheiros interessados na administração dos negócios, orçamentos e assuntos da área de gestão. É aconselhável para aqueles com grande capacidade de liderança e interessados em abrir o próprio negócio. Existem diversos cursos MBA, sendo alguns voltados para a área de gestão ambiental e outros para gerenciamento de obras e planejamento urbano.

2. Estruturas e fundações: esta especialização prepara o engenheiro para trabalhar com cálculo e projetos estruturais de concreto armado e protendido, por meio de ferramentas práticas e softwares avançados. O engenheiro de estruturas, também chamado de calculista ou projetista, recebe formação para aprender a calcular estruturas e fundações dos mais diversos portes e das mais diversas formas: lajes, muros de arrimo, pontes, piscinas, marquises, etc.

3. Geotecnia: para os que se interessam na área relativa a solos este curso de especialização é o mais indicado. O engenheiro geotécnico é responsável pelo cálculo de estabilidade de encostas e taludes, investigações de solo, contenções e escavações, serviços de terraplanagem, obras de aterro e compactação.

4. Saneamento: o engenheiro sanitarista é preparado para realização de obras de saneamento:  estações de tratamento de água, sistemas de esgotamento sanitário, redes coletoras de água e esgoto, além de aterros sanitários e gestão de resíduos sólidos.

5. Hidráulica: os engenheiros com especialização em hidráulica recebem formação para realização de projetos hidráulicos, sistemas de drenagem e tubulações, construção de canais, vertedores e barragens. Além disso, possui amplo conhecimento sobre sistemas de irrigação e escoamento de águas pluviais.

6. Infraestrutura: o engenheiro de infraestruturas pode trabalhar em projetos de portos, aeroportos e rodovias. A infraestrutura de transportes tem ênfase em rodovias, enquanto a infraestrutura aeroportuária foca em portos e aeroportos, já a infraestrutura urbana enfatiza obras de grande porte do cenário urbano.

Existem ainda muitas outras especializações que você poderá fazer: engenharia diagnóstica (patologias), estruturas metálicas, engenharia de túneis, poços de petróleo e gás, sistemas prediais, etc. 

É bom deixar claro que algumas áreas de especialização podem desempenhar tarefas semelhantes.

Fontes: 

https://www.inbec.com.br/pos-graduacao/engenharia
https://www.inbec.com.br/pos-graduacao/especializacao-em-estruturas-de-concreto-e-fundacoes
http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/141/artigo285740-1.aspx
https://www.inbec.com.br/pos-graduacao/especializacao-em-engenharia-de-saneamento-basico-e-ambiental
http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/189/artigo285979-1.aspx
https://blog.inbec.com.br/engenharia-civil-por-que-se-especializar-em-infraestrutura-de-transportes/

domingo, 25 de outubro de 2015

NPSH e cavitação em bombas


NPSH é uma sigla oriunda do inglês (Net Positive Suction Head) que indica, a grosso modo, a diferença entre a pressão de um líquido dentro de uma tubulação e a pressão de vapor desse líquido a uma dada temperatura.

Se a pressão do líquido ficar igual ou abaixo da pressão de vapor, ocorre a chamada cavitação: bolhas de vapor emergem de dentro do fluido. Ao se chocarem contra as hélices da bomba, geram um ruído violento (como se a bomba estivesse bombeando cascalho).

O colapso das bolhas dentro da bomba causa a retirada do material da superfície, fenômeno conhecido como pitting. Além dos danos ao rotor, a cavitação causa a instabilidade da tubulação, vibrações e defeitos mecânicos.

Pitting, em hélice de bomba, ocasionado pela cavitação.
Fonte: https://www.interempresas.net/Componentes_Mecanicos/Articulos/
34521-Cavitacion-en-el-bombeo-de-fluidos.html

Para evitar esse fenômeno indesejável, durante a escolha da bomba, o engenheiro deve verificar se o NPSH disponível (calculado) é maior do que o NPSH requerido pela bomba (dado do fabricante). 

Fonte: Catálogo Geral - Schneider Motobombas.

O vídeo abaixo (em inglês) explica a cavitação em hélices de submarinos. Aos 27 segundos do vídeo, repare a interessante explicação do químico a respeito do fenômeno. Podemos mudar a temperatura de ebulição de um líquido aumentando ou diminuindo a pressão sobre ele. Em baixas pressões, a água pode entrar em ebulição mesmo em baixas temperaturas.

          
  

Fontes:


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Caixa sifonada: entenda como funciona

Caixa sifonada.
Imagem: http://www.lojasupercasa.com.br/index.php?
route=product/product&product_id=537


Primeiramente, o que é um sifão? 

Sifão é um tubo que, mergulhado num líquido, faz a transferência deste de um recipiente para outro, por meio de uma diferença de nível e de pressão. Veja a figura:

Sifão.
Imagem: http://www.geocities.ws/saladefisica7/funciona/sifao.html

Como funciona a caixa sifonada?

A caixa sifonada recebe esse nome porque possui um "sifão" (parte de um cano permanentemente mergulhado em água) que impede a propagação do gás mal cheiroso da tubulação através da grelha ("tampa") do ralo. Tal mecanismo também é usado em vasos sanitários e pias de banheiros e cozinhas.

Caixa sifonada em condições normais de uso (água em repouso no interior da caixa).
Os gases da tubulação de esgoto (bolhas verdes na figura) não podem se propagar.
Imagem: arquivo pessoal.

Quando a água usada cai no ralo, o nível aumenta e o líquido escoa livremente para a tubulação de esgoto.

Caixa sifonada em condições normais de uso (água usada entrando pela grelha).
Imagem: arquivo pessoal.
O que a grande maioria das pessoas não sabe é que a tampa na parte de cima do "sifão" é apenas um dispositivo usado para o caso de entupimento (pelo menos é o que parece ser). Muitos acabam pensando que a tampa deve ser retirada, pois a água deve escoar por esse buraco... e com isso o mal cheiro da rede de esgoto passa a se espalhar à vontade pela casa... 


Caixa sifonada em condições anormais de uso. A tampa do "sifão" foi retirada.
O gás mal cheiroso da rede de esgoto pode se propagar para fora da grelha.
Imagem: arquivo pessoal.

E o vaso sanitário?

O vaso sanitário, por incrível que pareça, também possui um dispositivo parecido. A água do vaso sanitário é uma válvula que evita o retorno dos gases do esgoto.

Vaso sanitário em corte.
Imagem: http://casa.hsw.uol.com.br/vasos-sanitarios2.htm

Fontes:


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Aprenda a fazer um carneiro hidráulico artesanal


O carneiro hidráulico, também conhecido como aríete hidráulico, é um dispositivo capaz de elevar água por meio da própria energia hidráulica. Trata-se de uma pequena bomba que não gasta eletricidade nem combustível, sendo por isso considerado um aparelho sustentável. 

Funcionamento do carneiro hidráulico. Fonte: Globo Rural.

Como o dispositivo utiliza a própria energia da água, este deve ser instalado em um nível inferior ao do manancial, para aproveitar a força da gravidade ao máximo. A água que chega ao aríete sofre uma sobrepressão causada por uma válvula de impulsão (ou bomba de sucção) e é obrigada a passar por uma válvula de retenção. Quando o líquido passa por essa válvula, a mesma se fecha e ar contido acima da água a expulsa para uma saída. A água pode ser utilizada para irrigar plantações e até mesmo encher caixas d'água.

Confira abaixo o link de uma reportagem bastante esclarecedora do programa Globo Rural ensinando a fazer um carneiro hidráulico artesanal. A reportagem explica, inclusive, o porquê do curioso nome. A bomba artesanal é feita com canos de PVC e válvulas de metal e foi desenvolvida pelos técnicos da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina):



Referências: 

AZEVEDO NETTO, J. M. et al. Manual de Hidráulica. 8ª Ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1998.

Como fazer o carneiro hidráulico, Revista Globo Rural. Disponível em: <http://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/noticia/2015/05/como-fazer-o-carneiro-hidraulico.html>. Acesso em: 17 jul. 2015.


domingo, 21 de dezembro de 2014

Operadores Diferenciais em Mecânica dos Fluidos

Às vezes pode ser necessário a utilização de operadores diferenciais em mecânica dos fluidos (disciplina que junto à condução de calor recebe o nome de Fenômenos dos Transportes). Esses operadores diferenciais costumam ser trabalhados em Cálculo e servem para simplificar as fórmulas, reduzindo o seu tamanho. Segue abaixo uma introdução aos quatro operadores. Bons estudos!


1.        BREVE CONCEITO SOBRE CAMPO VETORIAL

Os vetores podem representar campos de velocidade, como correntes oceânicas, velocidade do vento durante um tornado ou o fluxo de ar passando por um aerofólio.


Figura 1 – Campo de vetores velocidade mostrando
aspectos do vento na América do Norte.

Campos vetoriais são funções que associam vetores a pontos no espaço. Nessas funções, os pontos no espaço (do R2 ou R3) constituem o conjunto domínio, enquanto o conjunto de vetores correspondentes aos seus respectivos pontos constitui o conjunto imagem.
Suponha um campo vetorial F sobre R3 como o ilustrado na Figura 2.
Figura 2 – Campo vetorial no R3.
Fonte: STEWART, 2007.

Podemos reescrever esse mesmo campo vetorial em termos das funções componentes P, Q, R como:

F(x, y, z) = P(x, y, z) i + Q(x, y, z) j + R(x, y, z) k

Imagine um líquido fluindo uniformemente em um cano e seja V(x, y, z) o vetor velocidade em um ponto (x, y, z). Então V associa um vetor a cada ponto (x, y, z) de um certo domínio E (interior do cano), e assim V é um campo vetorial em R­3 chamado campo de velocidade. Um campo de velocidade possível está ilustrado na Figura 3.

Figura 3 – Campo de velocidade de escoamento
 de fluido. Fonte: STEWART, 2007.


2.        OPERADORES DIFERENCIAIS


VETOR GRADIENTE


Seja f uma função de três variáveis x, y e z, o gradiente de f é a função vetorial ∇f definida por 

O valor máximo de uma derivada direcional Du f(x) é |∇f(x)| e ocorre quando o vetor unitário u tem a mesma direção e sentido que o vetor gradiente.
O vetor gradiente indica a direção e sentido de maior crescimento da função f (maior taxa de variação).
Figura 4 – Superfície, contornos e campo gradiente.

Observe na Figura 4 que os vetores do campo gradiente representados no plano x-y são perpendiculares às curvas de nível. Os valores de f se mantêm constantes quando nos movemos ao longo da curva de nível.
Se considerarmos um mapa topográfico de um morro (Figura 5) e se f(x, y) representar a altura acima do nível do mar do ponto de coordenadas (x, y), então a altura de maior crescimento pode ser desenhada como na Figura 5, fazendo-a perpendicular a todas as curvas de contorno. Esse fenômeno pode ser observado na natureza, onde os cursos d’água seguem as curvas de maior decrescimento.


Figura 5 – Mapa topográfico de um morro.

     Os vetores gradientes são mais longos onde as curvas de nível estão mais próximas uma das outras e mais curtos quando elas estão mais distantes entre si (Figura 6). Isso se deve ao fato de o comprimento do vetor gradiente ser o valor da derivada direcional de f e a proximidade das curvas de nível indicar uma grande inclinação (gradiente) do gráfico.


Figura 6 – Campo de vetor gradiente de f(x, y) = x2y – y3.
Fonte: STEWART, 2007.


ROTACIONAL

Se F = P i + Q j + R k é um campo vetorial sobre R3 e as derivadas parciais de P, Q e R existem, então o rotacional de F é um campo vetorial sobre R3 definido por



Em outras palavras, o rotacional pode ser dado por:

rot F = × F

Pode-se pensar em como um vetor com componentes ∂/∂x, ∂/∂y e ∂/∂z. Dessa forma, o produto vetorial será:

 

Teorema: Se f é uma função de três variáveis que tem derivadas parciais de segunda ordem contínuas, então:
rot (f) = × (f) = 0

pelo Teorema de Clairaut-Schwarz.

A razão para o nome rotacional é que o vetor rotacional está associado com rotações. Suponha que F represente um campo de velocidade em mecânica dos fluidos. Partículas perto (x, y, z) no fluido tendem a rodar em torno do eixo que aponta na direção de rot F(x, y, z), e o comprimento do vetor rotacional é a medida de quão rápido as partículas se movem em torno desse eixo (veja figura 7). Se rot F = 0 no ponto P, então o fluido não gira em P e F é chamado irrotacional em P. Em outras palavras, não existe redemoinho ou sorvedouro em P.


Figura 7 – Vetor rotacional. Fonte: STEWART, 2007.

Se rot F = 0, uma pequena roda com pás deslizaria com o fluido, mas não rodaria em redor de seu eixo. Se rot F ≠ 0, a roda com pás giraria em torno de seu eixo (ver Figura 8).


Figura 8 – Roda com pás girando em fluido onde rot F ≠ 0.


Figura 9 – Redemoinho em fluido.

DIVERGÊNCIA

Se F = P i + Q j + R k é um campo vetorial em R3 e existem ∂P/∂x, ∂Q/∂y e ∂R/∂z, então a divergência de F é a função de três variáveis definidas por



Observe que rot F é um campo vetorial, mas div F é um campo escalar. Em termos do operador gradiente  = (∂/∂x) i + (∂/∂y) j + (∂/∂z) k, a divergência de F pode ser escrita simbolicamente como o produto escalar de  e F:

div F = F

Teorema: Se F = P i + Q j + R k é um campo vetorial sobre R3 e P, Q e R têm derivadas parciais de segunda ordem contínuas, então:

div rot F = ( × F) = 0

porque os termos se cancelam aos pares pelo Teorema de Clairaut-Schwarz.

Novamente, a razão para o nome divergência pode ser entendida no contexto da mecânica dos fluidos. Se F(x, y, z) é a velocidade de um líquido (ou gás), então div F(x, y, z) representa a taxa líquida de variação (com relação ao tempo) da massa do líquido (ou gás) fluindo no ponto (x, y, z) por unidade de volume. Em outras palavras, div F(x, y, z) mede a tendência de o fluido diferir do ponto (x, y, z). Se div F = 0, então F é dito incompressível.



LAPLACIANO

O operador de Laplace ou laplaciano corresponde ao cálculo da divergência do gradiente de um campo vetorial ∇f. Se f é uma função de três variáveis, temos:




A expressão  ∇∙(∇f)  acima pode ser abreviada como  2f.
  

3.       REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

STEWART, J. Cálculo. 5ª Edição. São Paulo: Thomson Learning, 2007. Volume II.