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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Quatro passos para resolver um Sudoku de forma simples


Num Sudoku Clássico devemos completar uma grade 9 x 9 com números de 1 a 9, de forma que nenhum dos números se repita dentro das subgrades, linhas ou colunas.

Como as palavras cruzadas e os caça-palavras não funcionam muito bem na língua japonesa, os jogos de números acabaram fazendo muito mais sucesso no Japão. Essa é uma das razões que fez do puzzle criado pelo arquiteto aposentado Howard Garns um passatempo tão popular por lá. 

A seguir você vai conhecer um passo-a-passo bastante simples para resolver o Sudoku Clássico. Vamos lá?

Uma heurística simples para resolução de Sudokus

Numa definição grosseira, uma heurística nada mais é do que uma sequência de instruções que parte por um determinado caminho, geralmente o mais curto, com o objetivo de se chegar numa solução plausível. Resolvi, por isso (e em virtude da beleza do termo “heurística”), chamar o passo-a-passo a seguir de Heurística para Resolução de Sudokus Clássicos.

Antes de começar, vamos adotar o exemplo abaixo para exemplificar cada um dos passos:


Então vamos ao que interessa:

Passo 1: Num jogo de Sudoku, a primeira regra é conferir todas as linhas, observando as subgrades 3 x 3 e cada coluna, de forma que o número não se repita. Quais números faltam na linha? Vá contando de 1 a 9 e observe quais estão faltando. Veja se há algum quadrado onde você possa colocá-lo, tendo certeza de que aquele lugar é o único onde o número pode ser encaixado;

Veja que, na primeira linha, o número 6 só pode aparecer
em um único quadrado.

Passo 2: Depois de ter conferido todas as linhas, procede-se à conferência de todas as colunas, respeitando, dessa vez, os números que aparecem nas linhas e subgrades;

Repare que o número 3 na quarta coluna só pode aparecer no local
indicado, pois a duas subgrades destacadas já possuem o número 3.
 

Passo 3: Tendo executado os passos 1 e 2, você deve agora conferir todas as subgrades, observando quais números faltam dentro de cada uma e respeitando as linhas e colunas onde eles não podem aparecer;

Observe que o número 2, dentro da subgrade central na parte
superior, não pode aparecer na primeira linha.

Para os passos 1, 2 e 3, se preferir, siga uma ordem específica: de cima para baixo e da esquerda para direita, de maneira que você não se perca conferindo a mesma linha, coluna ou subgrade mais de uma vez...

Passo 4: O passo seguinte é observar as linhas, colunas ou subgrades que faltam poucos números para que fiquem completas. Verifique quais números são e onde eles podem ser colocados. Siga tentando até solucionar toda a grade.

Veja que na terceira linha restou apenas um local onde
 o número 5 pudesse colocado.

Em alguns casos, dependendo do nível de dificuldade do Sudoku, pode ser necessário repetir a heurística mais de uma vez até que toda a grade seja completada. 


Caso você tenha gostado, existe uma infinidade de jogos de Sudoku que você pode baixar pelo seu smartphone gratuitamente. É só instalar e jogar! 

Boa sorte! Ganbatte! 頑張って!

Obs.: Se quiser saber um pouco mais sobre a curiosa história do Sudoku, não deixe de acessar o link abaixo.

Fonte:

domingo, 3 de julho de 2016

Precisamos falar sobre a metodologia de ensino (postagem comemorativa)

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers, leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave them kids alone!
Pink Floyd (Another Brick In The Wall, Pt. 2)


Tétis mergulhando Aquiles no rio Estige.
Imagem: http://uzima-genaye.blogspot.com.br
Os nascidos na década de 80 até meados dos anos 90, conhecidos como geração Y, a exemplo do mito de Aquiles, foram banhados num novo rio Estige, com um leito repleto de informação e tecnologia, salvo os calcanhares que permaneceram intactos às suas águas. Essa fraqueza se reside no excesso de informação, pois essa geração tem interesse em saber sobre tudo. E é essa mesma ânsia de informação que conduz a uma exaustão mental, tão comum no atual século, acompanhada de um estresse geral, silencioso e extremamente perigoso.

Não é incomum escutarmos frases do tipo “tenho a impressão que sei muito menos agora do que quando entrei na faculdade”. Para Sócrates, o autor da célebre frase “só sei que nada sei”, ao reconhecermos que não sabemos tudo, somos capazes de mostrar que nossa sabedoria tem passado por um processo evolutivo. Poucos conhecem o restante da frase de Sócrates, ficando retidos apenas ao seu trecho inicial. Seu pensamento completo nos oferece muito mais reflexão: 

“Só sei que nada sei... e o fato de saber alguma coisa me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem, quando na verdade não sabem.”

Em um mundo onde as informações não ficam mais retidas ao professor, aulas expositivas, textos escolares e provas estão se tornando opções cada vez mais monótonas para o aluno, porque este, em meio à era digital, se tornou detentor do conhecimento tanto quanto o professor. O que falta, entretanto, é guiá-lo, despertar sua curiosidade e tornar esse conhecimento prático, belo e útil. Em sala de aula, os títulos acadêmicos e diplomas se tornam meras ferramentas de status se a didática deixar a desejar. Restringir o método de ensino a apenas uma forma entediante de aprender, por meio de quadro e giz, não desenvolve pensamento crítico. Muitos sequer sabem formar opiniões, uma vez que a capacidade de questionar, tão importante para defendermos nosso ponto de vista, foi atrofiada ao longo de toda uma vida pautada pela repreensão dos questionamentos. Alunos não podem ser podados em suas capacidades inventivas, pelo contrário, devem ser incentivados.

A vida acadêmica marcada pelo egocentrismo, sem vista a um conhecimento que promova a coletividade, é extremamente limitadora do pensamento criativo e acaba por formar mentes quadradas em um espaço onde deveriam ser permitidas formas mais variadas possíveis. O aumento do acesso às universidades tem levado a um processo de “deselitização” do ambiente acadêmico e é natural e sadio que pessoas proponham debates para a igualdade de todos os indivíduos num espaço que ainda se mostra tão desigual.

Talvez não haja maior verdade no mundo do que aquela escondida no ditado de que “ler é o melhor remédio”. É muito frequente os relatos na literatura de autores que condenam a poda da criatividade pelo ensino. Em “O Pequeno Príncipe”, por exemplo, atire a primeira pedra aquele que não viu senão um chapéu, quando na verdade era uma jiboia digerindo um elefante. Este é o teste primordial capaz de nos informar o quanto nossa capacidade inventiva tem estado adormecida.

O mantra de nossa metodologia de ensino, ainda baseada em séculos passados, nos diz que devemos ficar presos ao que deve ser aprendido para sermos aprovados. Mais uma vez restringimos em muito o nosso conhecimento do mundo, tão importante quanto o dos livros. Estamos formando cada vez mais especialistas que não se aventuram por outras áreas. E essa formação de especialistas não é mérito apenas do mundo acadêmico. Temos pessoas que se dizem especialistas em praticamente todos os setores. Basta que tenhamos uma conversa no dia a dia e seremos capazes de perceber o quão grande é o número de especialistas em política.

O conhecimento se ramificou de tal forma que perdemos a capacidade de transitarmos pelas diversas vertentes do saber e de promovermos a chamada interdisciplinaridade de conteúdo. A exemplo das ciências exatas e humanas, tão importantes umas às outras, mas que se veem como áreas distintas, tomadas como água e óleo. Explicar matemática, por exemplo, pode ser divertido e extremamente curioso quando contamos a história do surgimento dos números na Índia Antiga, mesclando áreas que até então se mostravam isoladas e fora de contexto.

A Escola de Atenas (Platão e Aristóteles).
Imagem: http://lounge.obviousmag.org
Se voltarmos no passado e avaliarmos a vida de alguns estudiosos e pensadores, veremos que muitos deles tiveram suas vidas marcadas pelo questionamento das coisas e vontade de entender o funcionamento da natureza estando, de fato, inseridos nela. A título de exemplo, Aristóteles ensinava seus discípulos passeando ao ar livre, um método da chamada Escola Peripatética.

Para Descartes, o pai da Geometria Analítica, tão logo a idade lhe permitiu ele abandonou inteiramente o mundo acadêmico e passou a buscar a ciência que se achava nele ou no “grande livro do mundo”. Sua conclusão não pôde ser melhor: pareceu-lhe que poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios das pessoas comuns, do que naqueles feitos pelos homens letrados em seus gabinetes, sobre especulações que não produzem qualquer efeito e não têm outra consequência a não ser aumentar-lhes cada vez mais a vaidade.

A famosa letra da segunda parte da música de Pink Floyd, Another Brick in the Wall (onde o trecho aparece no início deste texto), mostra-se mais atual do que nunca. Da forma como o ensino está, não precisamos de nenhuma educação, muito menos de controle mental.

Gostar do que faz – e de para quem faz – é um dos caminhos para a felicidade. Embora para Freud, pai da psicanálise, o programa de ser feliz seja irrealizável, devemos nos esforçar ao máximo para tornar a sua realização o menos distante possível. A atividade profissional pode nos trazer satisfação desde que seja escolhida livremente. No entanto, o trabalho não é visto como caminho para a felicidade, pois muitas pessoas se dedicam a ele apenas pelo critério da necessidade, não identificando seus anseios e metas à função que desempenham. Para ser professor é preciso, antes de tudo, gostar de ser professor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A arte da guerra: aplicações no mundo acadêmico


Imagem: http://www.americanas.com.br

“A Arte da Guerra” é um livro considerado a Bíblia da estratégia... Foi escrito por Sun Tzu (considerado por alguns estudiosos uma figura fictícia), em torno do século IV a.C., na China Antiga. É um texto esquemático, marcado por enumerações e regras... coisas típicas dos orientais. Quem não leu esse livro, quando tiver a oportunidade o faça...

Pois bem... para Sun Tzu, "o verdadeiro objetivo da guerra é a paz". Se é pois o desejo de todo e qualquer estudante alcançar a paz depois de dedicação exclusiva aos estudos durante seis ou doze meses, por que não aplicar este tratado de guerra ao mundo acadêmico?

Não é possível abordar todos os aspectos do livro em um simples texto, mas posso apresentar ao menos os mais relevantes, que possibilitem a aplicação prática e instantânea à Academia e, assim sendo, destacarei apenas o que considero aplicável às escolas e universidades, apesar de não seguir a ordem apresentada pelo autor. Pois então, partiremos ao que interessa:

O caminho

Imagem: http://teatrocristao.net/texto/no_caminho_de_damasco
Para prever o desfecho de uma batalha devemos conhecer com antecedência o caminho. Ele é aquilo que faz com que o povo (suas disciplinas) esteja em harmonia com o seu governante (você), sem temer o perigo, a vida ou a morte. Conheça primeiramente as matérias que você irá cursar durante o semestre e imagine o caminho que deverá ser trilhado. Evite distrações e procrastinação; siga o caminho direto ao seu objetivo: isto é, aprender e passar. Sem um caminho e um destino, não há motivo para se iniciar a batalha...

Estratégia de ataque

A habilidade suprema não consiste em ganhar cem batalhas, mas sim em vencer o inimigo em combater. Não se sobrecarregue, curse o número de matérias que julga suportar de bom grado. Não queira, portanto, fazer cem disciplinas num único período. Não faça da sua tarefa de estudar algo cansativo ou entediante. Pelo contrário, transforme o ato de se dedicar diariamente aos estudos (leia-se diariamente e não semanalmente ou mensalmente) em algo prazeroso... Não trave um combate entre você e suas disciplinas.


O Combate

Segundo Sun Tzu, quando começa a batalha, mesmo que esteja ganhando, não se demore muito ou as suas tropas vão se desanimar e perder a vontade. Esse desfecho trágico citado pelo autor é certeiro: a preguiça que aparece no meio do semestre, depois de meio caminho andado. Muitas vezes, depois de tirarmos notas satisfatórias nos primeiros exames, deixamos as coisas como estão, abrindo mão daquilo que já foi conquistado... Fiquemos, pois, atentos! Se as tropas estão cansadas, suas armas gastas, seus mantimentos escassos e a vontade se foi, a intriga, o motim e as más influências dos inimigos (ou seja, as notas baixas) vão se manifestar em breve... Não desanime. Pense no que você já percorreu ao longo do semestre e não no que ainda falta para finalizá-lo.

Energia e disposição

Para Sun Tzu o bom guerreiro sabe vencer sozinho. Ele busca eficácia no ímpeto, e não nas pessoas. Seja independente e caminhe com as próprias pernas. Não dependa dos professores toda vez que não souber alguma coisa. Aprenda sozinho, sempre que possível. Se você acha que estudar em grupo é perda de tempo, pois tira o seu foco, então não o faça... Use o seu docente para tirar dúvidas e mostre que você ao menos está tentando alçar voo. Aprenda com antecedência e leve dúvidas de verdade para a sala de aula.

O terreno

Imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/
Os terrenos podem ser classificados como: acessíveis, tortuosos, indecisos, apertados, acidentados ou distantes. Assim são os professores, que por serem humanos, possuem cada qual sua personalidade. Conheça o seu mestre e adapte-se ao estilo dele. Atente-se à divisão dos pontos, número de provas que serão dadas, listas de exercícios, testes surpresa... Também é importante conhecer cada disciplina, focar nas dificuldades e exterminar as dúvidas o quanto antes. Não espere a véspera da prova para fazer isso. Conhecer o terreno onde se pisa é de vital importância na batalha. Há planícies e pântanos, desertos e oásis...

Ataque com fogo

O uso do fogo deve ser manejado com cuidado. O equipamento para fazê-lo deve estar sempre à mão. Um Estado arruinado não se recupera, e os mortos não podem voltar à vida. O fogo na guerra é a "arma final", pois deve ser manejado com cuidado e só usado na última das hipóteses, em virtude de sua periculosidade. Façamos uma alusão metafórica entre a palavra “fogo” e “os exames finais e provas substitutivas”... Dessa maneira, esteja preparado psicologicamente para isso e evite-os a todo custo. Estude antecipadamente e arduamente... conte para que o vento aja a favor do fogo e não desperdice a sua última chance de alcançar a tão sonhada liberdade!

Imagem: http://lucianoayan.com/2012/07/08/a-arte-da-guerra
-politica-ii-os-principios/

Bons estudos! 

Inspirado no livro: BUENO, A. S. A arte da guerra: os treze capítulos originais/Sun Tzu. São Paulo: Jardim dos Livros, 2013.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Exercícios neuróbicos: fugindo da rotina


A palavra neuróbica é o nome dado ao exercício físico praticado pelo cérebro, de forma a fortalecer suas diferentes áreas e ampliar o alcance da ação mental, aumentando a criatividade e a capacidade de recordar fatos. Um exercício neuróbico se caracteriza por apresentar pelo menos uma das seguintes características:
  • Envolver um ou mais sentidos numa nova tarefa, diferente das já realizadas;
  • Concentrar a atenção, isto é, manter o foco, despertar emoções e gerar prazer;
  • Sair da rotina, acrescentar algo inesperado e incomum ao dia-a-dia; 
Um exercício de neuróbica deve trabalhar com pelo menos um dos cinco sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição. Todas as informações do mundo armazenadas pelo cérebro têm como porta de entrada nossos sentidos. A emoção, por isso, pode ser considerada um sexto sentido, uma vez que ela desempenha importante papel nos processos cognitivos, informações e pensamentos.

A neuróbica deve ser acrescentada às nossas vidas de maneira natural, aliada a atividades diárias com as quais já estamos acostumados a lidar. Sua execução não deve se tornar entediante, cansativa ou estressante. Um verdadeiro exercício neuróbico deve ser criativo, divertido e gerar bem-estar, de forma que a pessoa que o executa sinta-se bem ao realizá-lo. Só assim o cérebro é capaz de "fortalecer" seus neurônios.

Confira agora dez exercícios neuróbicos que você pode incluir nas suas rotinas diárias:

1. Ao acordar, escove os dentes com a outra mão (use-a também para abrir o tubo e colocar a pasta na escova);
2. Tome banho ou escolha suas roupas de olhos fechados, por meio da textura dos tecidos;
3. Mude sua sensação olfativa pela manhã: acorde e sinta um cheiro que lhe agrade (alecrim ou erva-doce, por exemplo);
4. Experimente um mundo sem som: use tampões de ouvido e preste atenção ao que outras pessoas estão dizendo;
5. Varie a ordem das coisas: mude os objetos e móveis da casa de lugar;
6. Leia histórias em voz alta, mudando a entonação nos diálogos, como se você fosse o personagem;
7. Mude o trajeto de ida para a escola ou para o trabalho (escolha novos caminhos);
8. Coma devagar e pausadamente, sinta o sabor do alimento e sua textura;
9. Seja ousado nas refeições: mude a ordem em que come os alimentos (comece pela sobremesa e termine com o almoço), coma com a outra mão, sente-se no chão ou na varanda;
10. Aprenda braile, LIBRAS ou novas formas de se comunicar por meio de outros sentidos não usuais;

Os exercícios de neuróbica não precisam ser executados todos num único dia ou de uma única vez. Alterne os diferentes tipos ao longo da semana e faça-os sempre que estiver disposto. Inove, invente e seja criativo.

Fonte: KATZ, LAWRENCE. C.; RUBIN, M. Mantenha o seu cérebro vivo. Rio de Janeio: Sextante, 2010.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

7 dicas pessoais de estudo


Grande parte das pessoas tem dificuldade em estudar e, muitas das vezes, não sabem como fazer isso da forma correta... Quem nunca passou horas e horas estudando e não conseguiu absorver nada? Faz parte da vida de todo estudante xingar uns palavrões depois de resolver uma conta absurdamente extensa e no final o resultado ter saído errado. Mais importante do que a quantidade de horas estudando é a qualidade do seu estudo...

As ciências exatas, em sua maioria, contam com três fases, as quais podem ser percebidas em qualquer livro de cálculo, física, resistência ou mecânica dos fluidos:

A primeira fase é a introdução à teoria. O autor explica conceitos, nomeia termos, expõe o tema e costuma fazer comentários. Costuma ser uma parte muito curta nos capítulos, uma vez que alguns autores não gostam de "perder tempo" em divagações e filosofias científicas.

A segunda fase, dizendo num vocabulário mais popular, é quando a ferida é exposta. Nessa fase, geralmente a mais extensa, o autor expõe a teoria, deduz as fórmulas, explica, demonstra e simplifica expressões... É a fase de ouro. Entender essa fase corresponde a entender boa parte da matéria. 

A terceira e última fase é a resolução de problemas. É a fase dos exercícios resolvidos e da busca de soluções para os problemas propostos. Inclui nessa fase o empenho do estudante em pegar folhas e lápis e colocar a mão na massa, a fim de analisar se realmente entendeu o que tinha para ser entendido.

Conhecer cada fase é importante. Execute-as uma de cada vez e não salte nenhuma das fases. Siga as etapas dos livros...


Imagem: http://earlychildhoodeducationwebsites.blogspot.com.br/2012/08/
Study-skills-the-best-way-to-use-the-time-to-study-Part-I.html

Confira agora 7 dicas que montei para melhorar ao máximo o desempenho nos estudos:

1) Concentração é a base de tudo: a coisa mais importante de todo o esquema. Está na base da pirâmide e é o que sustenta o aprendizado... trata-se da esponja responsável por absorver cada entrelinha da matéria. Sem concentração não adianta estudar... melhor ir lavar uma louça ou assistir à televisão. Se estiver difícil concentrar, duas são as possíveis causas: ansiedade ou cansaço. Se for ansiedade, procure uma forma de administrar isso: técnicas de meditação e exercícios físicos são bastante eficazes. Reserve um período do dia para abster-se de todos os problemas... deite-se, feche os olhos e concentre apenas na sua respiração, entre 10 e 20 minutos. Faça isso diariamente se for preciso... Estudiosos afirmam que os primeiros resultados surgem após 1 mês de prática diária. Se for cansaço, deite e vá dormir.

2) A ementa é sua melhor amiga: faça do seu cronograma de estudos ou da própria ementa a amiga fiel que o acompanha em todas as horas... Carregue a ementa, abrace a ementa, passeie com a ementa. É ela quem vai lhe guiar, lhe mostrando o que deve ser aprendido e o tempo que isso levará. Ementas absurdamente grandes faz parte dos cursos de exatas em determinadas universidades. Controle o tempo que levará para aprender cada tópico. Busque antecipadamente nos livros os capítulos e as seções que estão na ementa. Consulte as referências bibliográficas e escolha dois ou três dos principais títulos. Pegue emprestado, procure na internet, compre num sebo, adquira numa loja...

3) Perca o medo da matéria e viva junto dela: folheie, procure na internet, passe o livro folha por folha num dia que não estiver fazendo nada... Simplesmente entre em contato com o conteúdo, mostre interesse, não encoste no seu livro só pra estudar. Leia o que lhe interessar, seções de curiosidades que costumam ficar nos cantos das páginas... Veja imagens coloridas, leia as legendas, procure saber a vida dos cientistas e matemáticos e inspire-se neles.

4) Estude a matéria e passe na frente do professor: estude antecipadamente. Consulte sua ementa ou pergunte ao professor uma semana antes qual tópico ele vai ensinar. Corra então para os livros e estude antes. No dia da aula você verá que terá noção de parte das coisas que ele estiver falando. Faça resumos, escreva e arquive... Deixe seu resumo do seu lado no dia que seu professor estiver explicando a matéria e vá conferindo as deduções, o passo-a-passo. Anote suas dúvidas antecipadamente e pergunte no dia. Não se esqueça: vá para a aula com as dúvidas antecipadas. Se tiver de perguntar, pergunte como se não houvesse um amanhã para fazer isso. Não tenha medo de perguntas idiotas. Se você tiver estudado com antecedência, dificilmente terá perguntas idiotas. Se não possui tempo para estudar antecipadamente, contente-se em estudar depois... fazer o quê?

5) Faça a revisão para as provas pelos menos três dias antes: tem prova na sexta? Estude então na terça, na quarta e na quinta. Sexta é dia da prova. Estude menos nesse dia, porque o que tiver de ter sido aprendido já deu tempo. Não se canse para o dia da prova, porque o cansaço é uma das causas da falta de concentração: o risco de confundir o símbolo do infinito com o número oito é maior.

6) Consulte muitos livros: cada livro explica de um jeito. Talvez uma coisa que passe despercebida no primeiro, seja enfatizada no segundo. Busque estudar em mais de um livro. Se entendeu de primeira, tudo bem. Caso contrário, parta para diferentes literaturas e estude o tópico sob o ponto de vista de vários autores. Com certeza isso lhe permitirá maior entendimento. Nunca pule para o tópico seguinte com uma dúvida, por menor que seja. Faça perguntas mentalmente para você mesmo ou pergunte em voz alta... trate de respondê-las. Se não consegue responder sua indagação, alguma coisa não foi compreendida. Volte aos livros e descubra. Só sossegue quando descobrir.

7) Parabenize-se e motive-se: tirou nota boa? Dê presentes para si mesmo, quando o seu capital for disponível... Compre livros, assista um filme, descanse, viaje, passeie... faça o que gosta, depois de ter alcançado o seu propósito. Motive seu cérebro interesseiro. E lembre-se: nunca estude com fome. O cérebro só pensa em comida. Alimente-o primeiro, para que ele faça as outras tarefas depois... 

Espero que tenha sido útil. Vale lembrar que cada pessoa é de um jeito e as técnicas de estudo não são as mesmas para todos. Modifique as dicas e deixe-as adaptadas ao seu estilo. Bons estudos.

sábado, 11 de julho de 2015

Inteligência Múltipla - Descubra suas habilidades

Na verdade, medir a inteligência é algo como querer medir algo que não tem tamanho. Não se pode medir a inteligência de alguém de maneira satisfatória, isto porque existem múltiplas inteligências. Cada um possui determinadas inteligências em maior ou menor grau e isso vai depender de toda a sua história de vida e aprendizado. Somos bons naquilo que praticamos. Nossas preferências por determinadas áreas do conhecimento são moldadas de acordo com aquilo que temos facilidade ou temos contato constantemente. 

Segundo alguns estudos, a inteligência ou a habilidade para entender o mundo pode ser dividida em oito modalidades. Confira abaixo cada uma delas:

1. Inteligência cinestésica: conhecida como a inteligência do corpo. É a inteligência comum dos atletas e daqueles que possuem facilidade com a prática de esportes. Pessoas que possuem boa coordenação motora e respondem rápido a reflexos possuem bom grau de inteligência cinestésica. São aqueles que gostam de exercícios físicos, jogos, passeios e caminhadas. Se sentem extremamente à vontade para a prática de exercícios físicos e encontram prazer nessas atividades sem nenhum motivo aparente. 

2. Inteligência musical: como o próprio nome sugere é a inteligência típica dos músicos e compositores. A facilidade com instrumentos musicais e percepção de sons são características comuns das pessoas que possuem essa inteligência desenvolvida. Algumas possuem facilidade para o canto e aprendem a tocar instrumentos musicais de forma absurdamente simples. Percebem notas musicais com facilidade e sabem combinar os sons sem perder a harmonia. É típica dos músicos, dos compositores e de alguns cantores.

3. Inteligência visual: as pessoas que possuem maior inteligência visual possuem facilidade em lembrar de acontecimentos e paisagens. São pessoas que conseguem imaginar as coisas em três dimensões com extrema facilidade e possuem ampla noção de espaço. Pessoas que possuem inteligência visual mais desenvolvida possuem facilidade para desenhar e representar suas imagens mentais da forma mais detalhada possível. É a habilidade comum dos pintores, dos projetistas e arquitetos.

4. Inteligência naturalística: inteligência típica daquelas pessoas que gostam da natureza. Pessoas que possuem essa inteligência em maior grau, em geral, possuem facilidade para entender o mundo natural e gostam de estar sempre em contato com plantas e animais. São as pessoas que preferem o campo, o sol, a praia; gostam de plantar e ter contato com o solo. Os biólogos, ambientalistas e veterinários possuem essa inteligência em maior grau.

5. Inteligência lógica: é a inteligência dos números. A capacidade de interpretar fórmulas e gráficos, resolver problemas matemáticos e pensar de forma lógica são características típicas das pessoas que possuem essa inteligência mais desenvolvida. Pessoas com alto grau de inteligência lógica conseguem resolver problemas complexos dividindo-os em problemas simples e solucionando-os passo a passo. É típica dos hackers, programadores, matemáticos, físicos, economistas e de todo o grupo das ciências exatas.

6. Inteligência linguística: é a inteligência das palavras. Pessoas que gostam de ler e possuem facilidade com a escrita possuem inteligência linguística desenvolvida. São pessoas que gostam de passar horas escrevendo um texto, resolvendo palavras cruzadas, aprendendo novos idiomas. São extremamente observadoras das palavras e possuem grande vocabulário, além da facilidade para combinar e enfatizar frases. É a inteligência comum dos poetas, dos escritores e daqueles que gostam de conversar, dialogar e expôr suas opiniões para o papel com extrema facilidade.

7. Inteligência interpessoal: trata-se da inteligência para lidar com as outras pessoas por meio de ações. É a inteligência para exercer liderança, definir tarefas, falar em público e se relacionar bem com as pessoas. Participar de reuniões, grupos e rodas de conversa de forma absolutamente natural são outros quesitos importantes. Trata-se da habilidade dos líderes, dos grandes chefes e das pessoas extrovertidas.

8. Inteligência intrapessoal: talvez a mais rara das inteligências e uma das menos estudadas. No Ocidente essa inteligência é pouco desenvolvida, se comparada ao Oriente, na qual se trabalha mais com essa habilidade, por meio da meditação e reflexão. É a inteligência interior e está relacionada com a capacidade de análise e percepção comportamental das pessoas e do entendimento do pensamento humano. Trata-se da inteligência para lidar com as outras pessoas por meio de ideias. É típica dos monges, filósofos, psicólogos e das pessoas introspectivas.

Vale lembrar que todos nós possuímos as oito inteligências, algumas dessas habilidades em menor ou maior grau. A nossa inteligência, como um todo, é moldada pela quantidade de cada modalidade mencionada. Se você quiser, pode fazer um teste gratuito da BGfL (Birmingham  Grid for Learning) para saber quais elementos de sua inteligência são os mais fortes. O teste está em inglês:


Ao final do teste você terá um gráfico informando quais das oitos habilidades ou inteligências são mais e menos desenvolvidas. 

Diagrama com resultados do Questionário de Inteligência Múltipla.
Resultados baseados no teste da BGfL: http://www.bgfl.org/bgfl/custom/resources_ftp/client_ftp/ks3/ict/multiple_int/index.htm




segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Preguiça do Cérebro

Muitos sabem que grande parte dos animais possuem mecanismos de defesa: o cão, por exemplo, tem os dentes como principal arma, os gatos, suas unhas... mas e nós seres humanos? 

Embora alguns possam chegar a dizer que as mãos ou os pés seriam nossa principal arma de defesa (e ataque), há de se afirmar que estes apesar de serem importantes, não constituem nosso principal mecanismo defensivo. É válido pontuar que talvez nosso principal mecanismo de defesa seja a inteligência. O homem dominou, e ainda domina, todos os outros animais graças exclusivamente à sua capacidade de pensar. Foi, ainda, nosso grande cérebro que permitiu que nos adaptássemos aos climas mais hostis do planeta, desde regiões absurdamente quentes como os desertos, até regiões ilogicamente frias. O homem é o mais bem adaptado dos animais.


Esquimós. Exemplo de seres humanos adaptados ao frio hostil.
Imagem: http://www.brasilescola.com/upload/e/esquimo.jpg

Atualmente, com o excesso de informação por todos os lados, nosso cérebro, que antes era uma máquina funcionando a pleno vapor em busca da sobrevivência, tem se tornado uma gelatina patética de sobremesa de domingo. Você não tem mais que se esconder dentro de cavernas à noite ou caçar sua própria comida. Basta ir à geladeira ou ao armário da cozinha para que você encontre tudo o que deseja na hora da fome. Em meio a todas essas mudanças, a mais importante peça da máquina humana tem perdido suas habilidades e enferrujado. A vida foi tão facilitada por ele -  o cérebro - que agora ele tem se 'atrofiado', em razão de suas próprias peraltices. 

Compras de supermercado.
Imagem: http://www.mancheteonline.com.br/wp-content/uploads/2014/02/cesta.jpg

Uma técnica, portanto, capaz de desenvolver as habilidades do seu cérebro, pode ser baseada no que faziam os homens das cavernas, quando não havia geladeira, luzes coloridas e barulho de carros por todos os lados. Não é uma técnica cem por cento eficaz, mas quando desejar saber se tal coisa contribui para o bem ou mal de seu cérebro, imagine isso no cotidiano do homem das cavernas e tire suas próprias conclusões. Por exemplo, será que utilizar sempre um mesmo caminho para ir ao supermercado é saudável para o nosso cérebro? Imagine isso no tempo das cavernas. Quando o homem pré-histórico necessitava de comida, o que ele fazia? Seguia sempre o mesmo caminho para encontrar sua caça? Claro que não. A caça podia estar em qualquer lugar, talvez muito distante de onde ele supunha. Portanto, uma opção saudável para o cérebro é percorrer caminhos diferentes toda vez que se queira ir ao supermercado ou qualquer outro destino, como ir ao trabalho ou à escola. Deixar o cérebro menos preguiçoso não é uma tarefa cansativa, mas apenas uma mudança nas rotinas, naquilo que você faz diariamente. 


Excesso de estímulos visuais nas cidades.
Imagem: http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/01/poluicao-visual.jpg