quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Fique por dentro: os três mecanismos mais comuns de deterioração do concreto


O conceito de durabilidade das estruturas de concreto é algo relativamente novo, tendo sido incorporado às edificações há cerca de 35 anos. No Brasil, a primeira referência em norma foi na antiga NBR 6118/2003. 

Até os anos 80, a durabilidade das construções era algo subjetivo, baseada na experiência do profissional. Com o advento de novos estudos sobre o transporte de líquidos e gases agressivos em meios porosos, passou-se a estimar a durabilidade do concreto por meio da maior ou menor facilidade de percolação de fluidos pela matriz cimentícia.

Dentre os principais mecanismos de deterioração do concreto, os quais exercem influência direta sobre os quesitos de durabilidade e menor vida útil dos elementos, citam-se três: lixiviação, expansão por sulfato e reação álcali-agregado.

Lixiviação: trata-se do processo de transporte e dissolução da cal hidratada (Ca(OH)2) existente no concreto. Geralmente caracterizado pela presença de eflorescências. O processo de lixiviação irá resultar na chamada carbonatação, quando o dióxido de carbono e a água entram nos poros recém-formados e reage com a parcela restante de cal, levando à formação de sais. Os efeitos deletérios da lixiviação e da carbonatação incluem redução do pH, formação de fissuras e redução da resistência mecânica dos elementos de concreto armado, além da despassivação da armadura;

Eflorescência em concreto decorrente da lixiviação.
Imagem: http://www.mapadaobra.com.br

Expansão por sulfato:
decorre da reação entre os sulfatos e o aluminato tricálcico (C3A) ou hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) resultantes do processo de hidratação do cimento. A reação leva à formação de gesso e sulfoaluminato de cálcio (etringita ou sal de Candlot). Diante disso, as novas substâncias formadas cristalizam-se com a água e expandem-se, ocasionando fissuras e desprendimentos de lascas, além de facilitarem a entrada de águas agressivas no interior do concreto;

Expansão por sulfato.
Imagem: renatosahade.eng.br

Reação álcali-agregado: os álcalis do cimento incluem o óxido de sódio (Na2O) e o óxido de potássio (K2O). Estas substâncias podem reagir com a sílica em excesso presente em alguns agregados, levando à formação de um gel higroscópico. Tal gel é extremamente expansivo, de forma que leva à movimentações diferenciais nas estruturas, fissurações, pipocamentos e redução da resistência mecânica do concreto.

Reação álcali-agregado (RAA).
Imagem: www.engenhariacivil.com

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Fontes: 

BRANDÃO, A. M. S. Qualidade e durabilidade das estruturas de concreto armado: aspectos relativos ao projeto. 1998, 149 f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. São Carlos, 1998.

CICHINELLI, G. C. Reação perigosa. Revista Téchne, PINI, 2007. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

IBRACON. Reações álcalis-agregado em estruturas de concreto. E-Civil, 2017. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

JOSÉ, P. R. S . Lixiviação x carbonatação. Revista Téchne, PINI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

MEDEIROS, M. H. F.; ANDRADE, J. J. O.; HELENE, P. Durabilidade e vida útil das estruturas de concreto. In: Concreto: Ciência e Tecnologia. IBRACON, 2011.

sábado, 7 de outubro de 2017

A arte da escrita: por que escrever pode nos parecer tão difícil?


Fonte: http://noticias.universia.com.br

Escrever com as próprias palavras pode ser uma tarefa extremamente árdua para alguns. Mesmo em meio a era tecnológica, em que estamos constantemente em contato com as redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, parece-nos extremamente sufocante e, até mesmo apavorante, lidar com uma página de word em branca, pronta para ser preenchida.

Dentro dos cursos de exatas, a habilidade de escrita é, muitas das vezes, ignorada. Permeia no meio acadêmico, inclusive entre os docentes, uma cultura de total desprezo e desconsideração com relação à capacidade de redação por parte do aluno. De acordo com Cardoso (2010 apud HEINIG; SANTOS, 2011), dos mais de 30 mil profissionais engenheiros formados anualmente, apenas um quarto possui formação adequada. Dentre os problemas relatados, um chama a atenção, que é a dificuldade em redigir um texto nos testes realizados com os candidatos às vagas em entrevistas.

Escrever é uma arte e, como tal, é preciso que se faça seu aprimoramento dia após dia. Com raríssimas exceções, a qual diria que beiram o campo da metafísica, não se nasce escrevendo bem. É preciso esforço na tarefa penosa de se fazer entender por meio das palavras e expressões. Quem se faz compreendido por meio de um texto bem escrito e estruturado, adquire a capacidade de argumentação e defesa de seus pensamentos. A escrita é, por isso, um escudo de proteção no campo de batalha das ideias. É preciso que se ressalte, contudo, que o dom da escrita não se restringe apenas ao domínio restrito da gramática e ortografia. Redigir um bom texto envolve, antes de tudo, as técnicas e habilidades referentes à coesão e à coerência textual.

Assim como a argamassa cola e une os tijolos em uma parede, algumas palavras ajudam a “colar” as partes de um texto, mantendo-as juntas e de forma que as ideias se complementem umas às outras; a isso se dá o nome de coesão textual. É possível produzir um texto mais coeso por meio do conhecimento dos elementos de ligação, principalmente as conjunções, e das formas de utilização de cada um deles.

A capacidade de coerência da escrita, outro quesito de suma importância, envolverá maior abstração por parte do redator, uma vez que estará centrada na aptidão de reunir os pensamentos, informações e argumentos, tendo em vista a geração de um texto claro e entendível. Como quem aprende a ler e que, de tanto se esforçar, adquire a prática da leitura fluente, à medida que se escreve, aumenta-se a habilidade de se fazer entendível por meio das palavras, frases e expressões.

Por último, cumpre destacar que a criação de uma boa redação incluirá a constante mudança e readaptação da escrita, além da incessante escolha de sinônimos, como forma de evitar a repetição frequente de termos e vocábulos. De forma semelhante a esculpir uma obra de mármore, a confecção de um texto coeso e coerente envolverá a progressiva revisão por parte de quem escreve. Alguns trechos precisam muitas vezes ser podados e, outras vezes, reescritos, sempre com foco na coesão e coerência, incluindo e respeitando, além disso, a gramática e a ortografia da língua. Ao final, depois de todo o esforço e de todo o tempo dispendido, ter-se-á uma obra pronta e bem estruturada, envolvendo a constatação, por parte do autor, de que seu empenho pessoal lhe terá valido a pena. 

Referências

ABAURRE, M. L.; PONTARA, M. N. P.; FADEL, T. Português: língua, literatura, produção de texto: ensino médio. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2005.

HEINIG, O. L. O. M; SANTOS, G. R. O letramento no processo de formação do engenheiro civil. Atos de Pesquisa em Educação – PPGE/ME FURB. ISSN 1809-0354 v. 6, n. 1, p. 53-78, jan./abr. 2011.

domingo, 10 de setembro de 2017

Paisagismo urbano e biodiversidade brasileira: precisamos valorizar o que é nosso


Foto de ipê amarelo (Tabebuia alba) tirada no CEFET-MG, Campus Curvelo.
Imagem do autor.
A falarmos sobre paisagismo urbano, a primeira coisa que temos em mente são as praças e as árvores espalhadas pela cidade. De fato, este é um campo que envolve a integração entre ambientes naturais e aqueles projetados pelo homem.

Quando o assunto é paisagismo, é comum que se faça uma abordagem relativamente estética, deixando outros aspectos de suma relevância em segundo plano. Ao se escolher uma planta ou árvore devemos nos atentar para diversas variáveis, incluindo o consumo de água, profundidade das raízes e período de poda. Hoje é comum a existência de praças e jardins repletos de vegetações e folhagens que, a princípio, nos parecem comuns e corriqueiras, mas que não pertencem, de fato, à nossa flora local. Muitas das vezes, essas plantas podem requerer uma enorme quantidade de água, além da necessidade de podas constantes. É preciso perguntar: até que ponto nos é interessante cultivar plantas de outras regiões, muitas vezes adaptadas a condições climáticas distintas da nossa, exigindo, por isso, alta demanda de recursos e constantes cuidados?

Não é novidade para ninguém que o Brasil é um país de rica biodiversidade. Nossa fauna e nossa flora são riquíssimas e estima-se que as espécies de plantas brasileiras representem 22% de toda a flora mundial. De acordo com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o país conta com 43.448 espécies de plantas e fungos reconhecidos. Frente a esse fato, parece ser necessário que haja uma readequação do espaço urbano, como forma de reinserir a flora local em nossas cidades. Felizmente, mesmo em meio à enorme variedade de árvores, algumas têm alcançado bastante popularidade em muitos lugares do Brasil, a exemplo do ipê, hoje considerada a árvore símbolo do país.

Os benefícios do paisagismo urbano são incontáveis, pois além de melhorar o aspecto estético dos ambientes, acaba por colaborar para a sustentabilidade. A consciência ambiental ligada ao paisagismo dependerá, muitas das vezes, da visão dos governantes responsáveis pelas cidades, além do incentivo e entusiasmo da população quanto ao aumento das áreas verdes em suas ruas e bairros. 

E aí? Que tal plantar uma árvore hoje? 🌳

Fontes: