quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Concreto aparente: trazendo elegância e modernidade às construções


Elegante, moderno e despojado: estas são apenas algumas das muitas qualidades que podem ser dadas ao concreto aparente. Seu uso foi bastante comum nas décadas de 60 e 70 em obras modernistas e brutalistas, como as do arquiteto Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas. Hoje as construções com concreto aparente contam com a ajuda cada vez maior da tecnologia, uma vez que o aspecto estético deste tipo especial de concreto depende de um perfeito controle dos insumos e de processos bem executados de moldagem e acabamento superficial.

Ruy Ohtake: Hotel Unique, São Paulo. Fonte: http://www.hoteliernews.com.br

Por ser uma mistura heterogênea, a cor do concreto dependerá essencialmente das características dos insumos, sendo este um material difícil de ser trabalhado quando se objetiva um aspecto visual uniforme em construções que recorram à sua utilização sob a forma mais elementar possível. É preciso que se tenha um controle rigoroso da areia utilizada, a qual deve exibir uma granulometria padrão e mesma coloração. De fato, os insumos mais finos são aqueles que irão gerar maior impacto sobre a cor do concreto, sendo de fundamental importância o restrito controle do tipo de cimento Portland adotado, além dos aditivos utilizados. Pode-se, em alguns casos, fazer uso de pigmentos minerais como forma de compensar a variação de cor.

Sotero Arquitetos: Casa do Bomba, Chapada Diamantina. Fonte: https://www.archdaily.com.br

O aspecto final do concreto aparente é muito influenciado pelo processo de desmoldagem. O uso de fôrmas em bom estado de conservação e de desmoldantes especiais são imprescindíveis para um bom acabamento. Além disso, embora o concreto possa ser utilizado tanto em ambientes internos quanto externos, é bom deixar claro que se deve ter o cobrimento mínimo recomendado em norma conforme a classe de agressividade do ambiente. Em alguns casos, pode ser necessário o recobrimento da superfície com produtos de base hidrofugante ou formadoras de película, como vernizes 100% acrílico, poliuretânico ou de base epóxi. Existem proteções foscas e com brilho, devendo ser utilizada aquela que mais se adequar ao projeto e às especificações arquitetônicas.

Anacleto Angelini/ Alejandro Aravena: Centro de Inovação UC, Chile. Fonte: https://www.curbed.com

Dentre as vantagens de utilização do concreto aparente, além da beleza e estética despojada, tem-se a economia com serviços de acabamento posteriores como emboço, chapisco, reboco e uso de revestimentos cerâmicos. Contudo, como nem tudo são flores, a mão de obra para execução do concreto aparente é pequena e bastante restrita, sendo por isso consideravelmente cara. Cabe pontuar ainda que o controle, preparo e recebimento do concreto, bem como o processo de cura, são extremamente rigorosos, o que leva a uma menor produtividade em canteiro de obras.

Christian de Portzamparc: Cidade das Artes, Rio de Janeiro. Fonte: https://www.archdaily.com.br

De qualquer forma, hoje algumas construções em concreto aparente se tornaram verdadeiras obras de arte. Podemos encontrar pelo mundo afora uma vasta aplicação do material nos mais diversos tipos de construções, incluindo museus, viadutos, estações de metrô e edificações residenciais e comerciais, como restaurantes e hotéis.

Oscar Niemeyer: Palácio do Itamaraty, Brasília. Foto de Leonardo Martins. Fonte: https://www.flickr.com

Fontes:

domingo, 24 de dezembro de 2017

Desafios para a Engenharia no Brasil do século XXI




Imagem: http://www.sambiental.com.br

Segundo dados divulgados pelo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) organizado pela ONU, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. Num estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), dentre os 30 países pesquisados, o Brasil foi o que mostrou o pior retorno em benefícios à população tendo em vista os altos valores arrecadados em impostos. Como se sabe, vivemos numa nação relativamente nova, marcada pela exploração e pela desigualdade. Os novos desafios para a engenharia em nosso país passam por problemas antigos, como falta de saneamento básico, até situações mais complexas, como os congestionamentos das grandes cidades.

A questão do saneamento 

De acordo com o Instituto Trata Brasil, somente 50,3% da população brasileira possui acesso à coleta de esgoto. O percentual de dejeto tratado corresponde a apenas 43%. Quanto ao abastecimento com água tratada, este abrange 83,3% dos brasileiros, sendo ainda insuficiente e precário. Cerca de 37% da água tratada no Brasil é perdida devido a vazamentos e desvios. 

Falta de mobilidade urbana 

Conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o brasileiro leva em média cerca de 30 minutos para chegar ao local de trabalho. Nas grandes cidades o tempo é maior, mediante o tamanho e complexidade dos sistemas de mobilidade urbana. Em São Paulo, o tempo médio dispendido pode chegar a cerca de 40 minutos. A precariedade do transporte público aliado à alta do preço do combustível constituem empecilhos ainda maiores, responsáveis pela grande ineficiência de todo o sistema. 

Os gargalos no transporte 

Em pesquisa divulgada em 2016 pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 58,2% das rodovias brasileiras encontram-se com problemas, em estados considerados péssimo, ruim ou regular. Além disso, a malha ferroviária do país é extremamente pequena, quando comparada a de outros países, como os Estados Unidos ou até mesmo a Índia. O uso de trens viabilizaria o transporte de commodities por longas distâncias, além do melhor acesso aos portos, possibilitando uma logística mais funcional. 

Precariedade das escolas e hospitais 

É de se admirar, mas em pleno século XXI crianças brasileiras ainda estudam em escolas com telhados de palha e estrutura de estacas e barro, por falta de um imóvel adequado para o desenvolvimento das atividades. Em pequenos povoados do interior do país é comum encontrar escolas desprovidas de banheiros e sem acesso à água.

De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), mais de 60% dos hospitais públicos encontram-se com problema de superlotação. Muitas das unidades precisam de reformas, ampliação do número de leitos ou readequação dos espaços. 

O problema do sistema carcerário 

O recente caos nos presídios brasileiros, no início do ano, evidencia a precariedade das instituições carcerárias, marcadas pela superlotação. De acordo com as Nações Unidas um presídio deve ter no máximo 500 vagas. No Brasil, muitos deles extrapolam esse valor, chegando a abrigar até 7000 presos. A construção de novas prisões pode ser uma solução enganosa como forma de resolver de todos os problemas relacionados à criminalidade, mas a reforma das atuais unidades é imprescindível.

Não nos resta dúvida de que o Brasil é um país em desenvolvimento, carente de infraestrutura de ponta e ainda bastante atrasado no que concerne à redução da desigualdade. A Engenharia, por isso, possui um papel crucial no processo de crescimento da economia, possibilitando a melhoria da qualidade de vida e respeito à dignidade de todos os brasileiros.

📢 Gostou deste artigo? Deixe suas sugestões nos comentários sobre possíveis temas que você gostaria de saber um pouco mais!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Fique por dentro: os três mecanismos mais comuns de deterioração do concreto


O conceito de durabilidade das estruturas de concreto é algo relativamente novo, tendo sido incorporado às edificações há cerca de 35 anos. No Brasil, a primeira referência em norma foi na antiga NBR 6118/2003. 

Até os anos 80, a durabilidade das construções era algo subjetivo, baseada na experiência do profissional. Com o advento de novos estudos sobre o transporte de líquidos e gases agressivos em meios porosos, passou-se a estimar a durabilidade do concreto por meio da maior ou menor facilidade de percolação de fluidos pela matriz cimentícia.

Dentre os principais mecanismos de deterioração do concreto, os quais exercem influência direta sobre os quesitos de durabilidade e menor vida útil dos elementos, citam-se três: lixiviação, expansão por sulfato e reação álcali-agregado.

Lixiviação: trata-se do processo de transporte e dissolução da cal hidratada (Ca(OH)2) existente no concreto. Geralmente caracterizado pela presença de eflorescências. O processo de lixiviação irá resultar na chamada carbonatação, quando o dióxido de carbono e a água entram nos poros recém-formados e reage com a parcela restante de cal, levando à formação de sais. Os efeitos deletérios da lixiviação e da carbonatação incluem redução do pH, formação de fissuras e redução da resistência mecânica dos elementos de concreto armado, além da despassivação da armadura;

Eflorescência em concreto decorrente da lixiviação.
Imagem: http://www.mapadaobra.com.br

Expansão por sulfato:
decorre da reação entre os sulfatos e o aluminato tricálcico (C3A) ou hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) resultantes do processo de hidratação do cimento. A reação leva à formação de gesso e sulfoaluminato de cálcio (etringita ou sal de Candlot). Diante disso, as novas substâncias formadas cristalizam-se com a água e expandem-se, ocasionando fissuras e desprendimentos de lascas, além de facilitarem a entrada de águas agressivas no interior do concreto;

Expansão por sulfato.
Imagem: renatosahade.eng.br

Reação álcali-agregado: os álcalis do cimento incluem o óxido de sódio (Na2O) e o óxido de potássio (K2O). Estas substâncias podem reagir com a sílica em excesso presente em alguns agregados, levando à formação de um gel higroscópico. Tal gel é extremamente expansivo, de forma que leva à movimentações diferenciais nas estruturas, fissurações, pipocamentos e redução da resistência mecânica do concreto.

Reação álcali-agregado (RAA).
Imagem: www.engenhariacivil.com

📢 Gostou deste artigo? Deixe suas sugestões nos comentários sobre possíveis patologias que você gostaria de saber um pouco mais!

Fontes: 

BRANDÃO, A. M. S. Qualidade e durabilidade das estruturas de concreto armado: aspectos relativos ao projeto. 1998, 149 f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. São Carlos, 1998.

CICHINELLI, G. C. Reação perigosa. Revista Téchne, PINI, 2007. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

IBRACON. Reações álcalis-agregado em estruturas de concreto. E-Civil, 2017. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

JOSÉ, P. R. S . Lixiviação x carbonatação. Revista Téchne, PINI, 2009. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2017.

MEDEIROS, M. H. F.; ANDRADE, J. J. O.; HELENE, P. Durabilidade e vida útil das estruturas de concreto. In: Concreto: Ciência e Tecnologia. IBRACON, 2011.