quarta-feira, 15 de julho de 2015

Descoberto o bóson de Higgs... e daí? Você sabe o que é o bóson de Higgs?

Muita gente já ouviu falar a respeito da descoberta do bóson de Higgs, mas poucos sabem a importância dessa conquista. Você sabe o que é o bóson de Higgs?


Imagem: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=12356

Na verdade, o Modelo Padrão – a mais sofisticada teoria matemática sobre a natureza – prega a existência de quatro interações, responsáveis por todas aquelas forças com que estamos acostumados no dia-a-dia: forças elásticas, forças de atrito, forças de viscosidade, etc. Essas quatro interações fundamentais propostas pelo Modelo Padrão são: interação gravitacional, interação eletromagnética, interação forte e interação fraca. Desse quarteto surge uma bela simetria de quatro cargas, quatro forças, quatro campos e quatro tipos de partículas mediadoras.

As partículas mediadoras são aquelas que “transmitem a mensagem” da força entre as partículas interagentes, sendo também chamadas de partículas virtuais. As quatro interações ocorrem como se as partículas “trocassem” outras partículas entre si. Na interação eletromagnética esses agentes mediadores seriam os fótons, na interação forte os glúons, na gravitacional os grávitons (ainda não detectados). Na interação fraca, as partículas mensageiras seriam as partículas W e Z. Estas últimas seriam as únicas que possuem massa.

Peter Higgs pôde prever teoricamente, em 1964, certas partículas conhecidas como bósons de Higgs e mais tarde sua teoria foi usada para descrever a excentricidade das partículas mediadoras W e Z (as únicas dotadas de massa). A simetria do Modelo Padrão exigia que essas partículas mediadoras tivessem massa nula, mas a teoria por detrás da interação fraca (teoria eletrofraca) exigia que essas partículas tivessem massas relativamente elevadas. Entretanto, e se as massas das partículas W e Z fossem apenas aparentes? E se suas massas fossem dadas por outras partículas? É aí que entram os famosos bósons previstos na teoria de Higgs.

A massa das partículas W e Z seria dada devido à existência de um campo de Higgs não-nulo permeando o Universo. As partículas mediadoras da interação fraca possuem uma massa aparente dada pela massa das partículas com as quais estão constantemente se chocando. As partículas estão sempre interagindo com o campo de Higgs, deslocando-se através dele como peixes num aquário. É essa interação que lhes dá sua massa e, consequentemente, sua inércia.


Peixes no aquário: uma analogia entre partículas e o campo de Higgs.
Imagem: http://ultradownloads.com.br/download/Dream-Aquarium-Screensaver/

Atualmente o campo de Higgs tem sido utilizado para explicar a massa das partículas elementares em geral. Todas as partículas interagem com o campo e ficam polarizadas com bósons de Higgs que lhes conferem massa. Nesse ponto é bom deixar claro que estamos falando de massa e não de gravidade. A gravidade estaria relacionada aos grávitons, os quais não entram nessa explicação.

Em 2013, o Nobel de Física premiou a descoberta do bóson de Higgs, apelidado de “a partícula de Deus”. Essa partícula era a peça que faltava para aumentar a legitimidade do Modelo Padrão. Ficou comprovado como as demais partículas são dotadas de massa: um passo enorme dado pela Física de Partículas. Se o bóson de Higgs não fosse descoberto, tornar-se-ia necessário modificar o Modelo Padrão e muitas teorias teriam que ser repensadas. O único problema é que a gravidade continua sendo o “calo no pé” da teoria. Até hoje o gráviton não foi detectado e os físicos não conseguem encaixar a interação gravitacional de forma satisfatória num mesmo modelo. O próximo grande passo para a Física de Partículas seria a descoberta do gráviton, considerada a partícula do século.

Confira abaixo uma reportagem de 2013 sobre a descoberta do Bóson de Higgs:



Referência bibliográfica


MOREIRA, M. A. O Modelo Padrão da Física de Partículas.  Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/~moreira/modelopadrao.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2015.




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